A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para ou diminui repetidas vezes durante a noite, geralmente porque a via aérea se fecha na altura da garganta. Ela causa ronco alto, pausas respiratórias, sono fragmentado e cansaço durante o dia e, sem tratamento, aumenta o risco de pressão alta, arritmias, infarto e AVC. O diagnóstico é feito pela polissonografia, e o tratamento pode incluir CPAP, controle do peso e outras medidas individualizadas.

A apneia do sono é um dos distúrbios do sono mais comuns e, ao mesmo tempo, um dos mais subdiagnosticados. Muitas pessoas convivem por anos com ronco, sono agitado e cansaço durante o dia sem saber que a causa está na respiração durante a noite.
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Em quem tem apneia, esse relaxamento faz a via aérea se estreitar ou fechar por alguns segundos, várias vezes por hora. O oxigênio do sangue cai, o cérebro desperta brevemente para retomar a respiração e o sono se fragmenta, quase sempre sem que a pessoa perceba.
O que é a apneia do sono
A apneia do sono é caracterizada por pausas na respiração (apneias) ou reduções importantes do fluxo de ar (hipopneias) que se repetem durante a noite. Existem três formas principais:
- Apneia obstrutiva do sono: a mais comum. A via aérea se fecha na altura da garganta, apesar de o corpo continuar fazendo esforço para respirar.
- Apneia central do sono: o cérebro deixa de enviar o comando para respirar por alguns segundos. É mais frequente em pessoas com insuficiência cardíaca, após AVC ou com uso de alguns medicamentos, como opioides.
- Apneia mista: combina características das duas anteriores.
Ronco: quando é só ronco e quando é apneia
O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos da garganta quando o ar passa por uma via aérea estreitada. Ele é comum e, sozinho, nem sempre significa doença. O ronco passa a ser um sinal de alerta quando:
- é alto e acontece quase todas as noites
- vem acompanhado de pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado
- é interrompido por engasgos ou respirações ofegantes
- a pessoa acorda cansada, com dor de cabeça ou sonolenta durante o dia
Nesses casos, o ronco pode ser a manifestação mais visível da apneia obstrutiva do sono e merece investigação. Quem ronca sem apneia pode se beneficiar de medidas como tratar a rinite, controlar o peso, evitar álcool à noite e dormir de lado.
Sintomas da apneia do sono
Durante a noite:
- Ronco alto e frequente
- Pausas na respiração observadas por outra pessoa
- Despertares com sensação de sufocamento
- Sono agitado e suor noturno
- Necessidade de levantar várias vezes para urinar
Durante o dia:
- Cansaço ao acordar, mesmo depois de muitas horas na cama
- Sonolência excessiva e cochilos involuntários, inclusive ao dirigir
- Dor de cabeça pela manhã e boca seca
- Dificuldade de concentração, esquecimento e irritabilidade
- Queda da libido
Quem tem mais risco
A apneia do sono pode acontecer em qualquer adulto, mas é mais frequente em quem tem:
- excesso de peso, especialmente com acúmulo de gordura no pescoço
- idade acima de 50 anos
- sexo masculino ou mulheres após a menopausa
- queixo pequeno ou recuado, amígdalas ou língua aumentadas
- obstrução nasal, rinite ou desvio de septo
- consumo de álcool à noite ou uso de sedativos
- tabagismo
- pressão alta, diabetes ou doenças cardíacas
A relação com o peso é tão importante que o controle da obesidade é parte central do tratamento. Veja também o que os estudos mostram sobre a tirzepatida (Mounjaro®) na apneia do sono.
Por que a apneia do sono faz mal à saúde
A cada pausa respiratória, o oxigênio do sangue cai e o organismo libera adrenalina para despertar o cérebro. Repetido dezenas de vezes por hora, noite após noite, esse ciclo sobrecarrega o coração e o metabolismo. Sem tratamento, a apneia do sono está associada a:
- pressão alta, inclusive de difícil controle
- arritmias, como a fibrilação atrial, e insuficiência cardíaca
- maior risco de infarto e de AVC
- piora do controle do diabetes
- acidentes de trânsito e de trabalho por sonolência
- alterações do humor, ansiedade e depressão
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa na consulta, com a história do sono, o relato de quem dorme ao lado, o exame da face, do nariz e da garganta e a avaliação de doenças associadas. Questionários como o STOP-Bang ajudam a estimar o risco, e você pode fazer o teste de risco de apneia online.
A confirmação é feita pela polissonografia, o exame do sono, que registra durante uma noite a respiração, a oxigenação, os batimentos do coração e as fases do sono. O principal número do laudo é o índice de apneia e hipopneia (IAH), que classifica a apneia em leve, moderada ou grave e orienta o tratamento.
Tratamento da apneia do sono
O tratamento é individualizado e costuma combinar mais de uma estratégia:
- CPAP: aparelho que, por meio de uma máscara, mantém a via aérea aberta durante o sono com um fluxo de ar sob pressão. É o tratamento mais eficaz nos casos moderados e graves e melhora a sonolência e o controle da pressão. A adaptação é mais fácil com a máscara certa e acompanhamento nas primeiras semanas.
- Controle do peso: reduz a gravidade da apneia e, em alguns casos, pode resolvê-la. Medicamentos para obesidade podem ser considerados em pacientes selecionados.
- Aparelho intraoral: feito por dentista, avança a mandíbula durante o sono. É uma opção nos casos leves a moderados ou para quem não se adapta ao CPAP.
- Terapia posicional: útil quando a apneia acontece principalmente de barriga para cima.
- Medidas gerais: evitar álcool e sedativos à noite, parar de fumar, tratar a rinite e a obstrução nasal e manter horários regulares de sono.
- Cirurgia: indicada em situações específicas, avaliadas em conjunto com o otorrinolaringologista.
Apneia do sono e doenças pulmonares
A apneia do sono frequentemente convive com outras condições respiratórias. Quando aparece junto com a DPOC, as quedas de oxigênio noturnas tendem a ser mais intensas e o risco cardiovascular é maior. Na obesidade importante, pode haver também hipoventilação, com acúmulo de gás carbônico no sangue. Em doenças neuromusculares, como a ELA, os primeiros sinais de insuficiência respiratória costumam surgir durante o sono. Nessas situações, a avaliação pelo pneumologista ajuda a escolher o suporte respiratório adequado, que pode incluir ventilação com dois níveis de pressão.
Quando procurar avaliação
Procure avaliação se você ronca alto, se alguém já percebeu pausas na sua respiração, se acorda cansado ou sente sonolência durante o dia, ou se tem pressão alta de difícil controle. Sonolência ao dirigir é um sinal de alerta: evite dirigir até ser avaliado. O Dr. Alfredo Santana avalia e acompanha a apneia do sono em consultório na Asa Sul, em Brasília, integrando o tratamento do sono ao cuidado com o pulmão, o coração e o metabolismo.
Perguntas frequentes sobre apneia do sono
Apneia do sono tem cura?
Em parte dos casos, sim. Quando a apneia está ligada ao excesso de peso, à obstrução nasal ou a amígdalas aumentadas, tratar a causa pode reduzir muito ou até resolver o quadro. Em outros, a apneia é controlada com tratamento contínuo, como o CPAP, que elimina as pausas enquanto é usado. Por isso a reavaliação periódica com o médico é importante.
Todo mundo que ronca precisa fazer polissonografia?
Não. O ronco isolado é comum e nem sempre indica apneia. A investigação é recomendada quando o ronco é alto e frequente ou vem junto com pausas respiratórias, engasgos noturnos, sonolência durante o dia, pressão alta de difícil controle ou doenças cardíacas. O teste de risco de apneia ajuda a decidir se vale procurar avaliação.
O CPAP vicia ou piora a respiração com o tempo?
Não. O CPAP não causa dependência e não enfraquece a musculatura da respiração. Ele apenas mantém a via aérea aberta enquanto está sendo usado. Se a causa da apneia melhorar, por exemplo com perda de peso importante, o aparelho pode ser reavaliado e, em alguns casos, suspenso.
Apneia do sono é perigosa?
Sem tratamento, sim. As quedas repetidas de oxigênio e os despertares sobrecarregam o coração e estão associados a pressão alta, arritmias, infarto e AVC, além de aumentar o risco de acidentes por sonolência. Com diagnóstico e tratamento adequados, esses riscos diminuem e a qualidade do sono melhora.
Emagrecer resolve a apneia do sono?
Emagrecer costuma reduzir a gravidade da apneia, às vezes de forma importante, mas nem sempre a resolve por completo. A resposta varia conforme a anatomia da via aérea e outros fatores. Por isso o controle do peso é parte do tratamento, junto com o acompanhamento e, quando indicado, o CPAP.
Conteúdo educativo, revisado por médico. Não substitui a consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual. Em falta de ar intensa, dor no peito ou queda da saturação, procure um pronto-socorro.

Pneumologista e Clínico · CRM-DF 17691 · RQE 9097 | RQE 9098 | RQE 21324
Doutorado em Pneumologia pela USP, Fellow do American College of Chest Physicians (FCCP), especialista em Clínica Médica e Medicina Intensiva. Pneumologista do Hospital Sírio-Libanês Brasília, professor de Medicina e editor associado do Jornal Brasileiro de Pneumologia. Atende em consultório na Asa Sul e acompanha pacientes em internação e UTI.
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